Intenção de consumo das famílias capixabas cresce 5,2% em um ano e supera médias do Sudeste e do Brasil

Indicador alcançou 110 pontos em setembro e revela cenário favorável para o comércio no último trimestre do ano, apesar da cautela na compra de bens duráveis
A intenção de consumo das famílias do Espírito Santo registrou crescimento de 5,2% em setembro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) alcançou 110 pontos, permanecendo estável em relação a agosto, mas acima dos resultados observados no Sudeste, de 105,2 pontos, e no Brasil, de 104 pontos.
Os dados fazem parte do relatório mensal elaborado pelo Connect Fecomércio-ES, com informações coletadas pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), referentes a setembro. O ICF funciona como um termômetro antecipado do desempenho das vendas no comércio e considera aspectos como emprego, renda, acesso ao crédito, nível de consumo e perspectivas profissionais. Resultados acima de 100 pontos indicam percepção satisfatória das famílias em relação às condições de consumo.
Na comparação anual, o desempenho capixaba também se destacou. Enquanto o Espírito Santo avançou 5,2%, o Sudeste apresentou crescimento de 2,6% e o Brasil, de 2,9%.
“O resultado indica que as condições percebidas pelas famílias capixabas para consumir estão mais favoráveis do que há um ano, fator que pode contribuir para sustentar a demanda e o desempenho do comércio no período de preparação para as compras de fim de ano”, afirma o coordenador do Connect, André Spalenza.
Crédito e capacidade de consumo favorecem comércio
Entre os componentes do indicador, a Capacidade de Consumir atingiu 117,1 pontos, com crescimento de 0,2% no mês. Já a Disposição para o Consumo ficou em 100,4 pontos, ligeiramente acima da linha que separa satisfação e insatisfação, apesar da retração mensal de 0,3%.
Outro destaque positivo foi o Acesso ao Crédito, que avançou 2,1% em setembro, passando de 113,9 para 116,4 pontos. O resultado amplia as condições para compras parceladas e de maior valor justamente na entrada do último trimestre, tradicionalmente marcado por maior movimentação do comércio. O Nível de Consumo Atual também cresceu, com alta de 3,5%, chegando a 113 pontos.
Apesar dos sinais positivos, os consumidores ainda demonstram cautela em relação a compras de maior valor. O indicador Momento para Duráveis caiu 5,1%, de 72,8 para 69,1 pontos. Como permanece abaixo dos 100 pontos, o resultado mostra que as famílias ainda não consideram o momento plenamente favorável para adquirir itens como móveis e eletrodomésticos.
Comportamento varia de acordo com a renda
A pesquisa também aponta diferenças entre as faixas de renda. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o ICF registrou 108,5 pontos, alta de 0,2% na comparação com agosto e de 4,5% em relação a setembro de 2025.
Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice chegou a 119,5 pontos. Apesar de continuar em patamar mais elevado, houve redução de 1,2% frente ao mês anterior. Na comparação anual, porém, o crescimento foi expressivo, de 9,6%.
Os resultados mostram que o consumo capixaba chega ao último trimestre de 2026 em situação mais favorável do que no ano anterior, embora ainda existam sinais de acomodação no curto prazo. Para o comércio, o cenário combina maior confiança na comparação anual com uma postura mais seletiva das famílias na hora de transformar condições favoráveis de renda e crédito em compras efetivas, principalmente nos segmentos de maior valor.
Consumidor busca alternativas para equilibrar experiência e custo
O relatório também traz a percepção do empresário Tito Dias Kalinka, cofundador do grupo societário 21vinte7, que reúne sete empreendimentos no segmento de entretenimento no Espírito Santo. Para ele, mudanças nos hábitos de consumo têm levado as famílias a buscar alternativas que conciliem conveniência, experiência e redução de despesas
Segundo Kalinka, o crescimento do delivery é um exemplo dessa transformação. “Cada vez mais as pessoas têm recorrido ao delivery, até porque acaba se tornando um programa mais barato”, afirma. Na avaliação do empresário, consumir em casa permite manter a experiência de determinados restaurantes ao mesmo tempo em que reduz gastos associados a combustível, estacionamento e deslocamento.
Sobre o ICF
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias varia de zero a 200 pontos. Valores acima de 100 indicam satisfação dos consumidores em relação às condições de consumo, enquanto resultados abaixo desse patamar sinalizam insatisfação.
A pesquisa é realizada mensalmente pela CNC e o relatório capixaba é produzido pelo Connect Fecomércio-ES. Os dados desta edição são referentes a setembro de 2026.










