Comércio capixaba registra crescimento de 13,7% em março

O comércio varejista registrou em março de 2017 um crescimento de 13,7% no volume de vendas em relação ao mês anterior, fevereiro, como mostra a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE. Em relação a março de 2016, o indicador ainda apresentou queda, de 8,9%.

No entanto, vale destacar que o alto crescimento no mês de março em relação ao mês anterior é resultado, em boa parte, da base menor de comparação das vendas em fevereiro, posto o mês atípico que o estado vivenciou com a greve da polícia militar, o que afetou enormemente o faturamento do varejo no mês. O período de doze meses entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 vinha apresentando variações mensais de, em média, 2%, alternando entre negativas o que mostra o quão atípico foi o mês de fevereiro e, consequentemente, o de março.

Neste caso, o equilíbrio dos dados proporcionado pelo ajuste sazonal realizado pelo IBGE abordou as sazonalidades do carnaval e do número menor de dias que o mês possui, mas não o caso pontual que o estado vivenciou com a crise na segurança.

Diante disso, as vendas em fevereiro de 2017 em comparação com janeiro caíram 14,6% e na comparação com o mesmo mês do ano passado registrou queda de 23,7%. Os dados refletiram as dificuldades e perdas de faturamento sentidos pelo comércio capixaba.

Desempenho por atividades

Na comparação entre março de 2017 e março de 2016, três dos oito segmentos pesquisados (varejo restrito) apresentaram variação positiva, destacando-se Tecidos, vestuário e calçados (+53,0%) e Equipamentos e materiais para escritório, informática e de comunicação (+38,5%). Terceiro segmento com maior crescimento foi o de Móveis e Eletrodomésticos, com alta de 12,6%. Na pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) realizada em Vitória no mês de fevereiro de 2017, o consumidor avaliou um pouco melhor as condições para o consumo de bens duráveis, o que pode ter influenciado os resultados melhores desses segmentos.

Já a maior queda em março foi registrada pelo segmento de hipermercados e supermercados, caindo 23,1% em relação a março do ano passado. Nesse caso o segmento refletiu o comportamento do calendário na qual no ano passado a Páscoa (que possui grande influência sobre as vendas desse segmento) foi em março, o que aumentou a base de comparação.

No comércio varejista ampliado, que incorpora os setores de veículos, motocicletas, partes e peças e materiais de construção, as vendas em março apresentaram alta de 4,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Sendo que as vendas de veículos, motocicletas, partes e peças tiveram maior influência, com o crescimento de 43,5%. Esse aumento, no entanto, foi creditado à uma atuação das próprias fabricantes junto às revendas para diminuir os estoques e movimentar o mercado, podendo representar um crescimento pontual. Já as vendas dos materiais de construção recuaram 36,6%, nessa comparação.

Comentários

Diante dos dados apresentados, pode-se dizer que o comércio varejista do Espírito Santo no mês de março recuperou-se, em parte, o faturamento perdido no mês de fevereiro, ou seja, o volume das vendas praticamente voltou ao patamar anterior. No entanto, no que se referem à recuperação efetiva, as vendas ainda não apresentaram sinais consistentes de retomada devido à algumas condições ainda desfavoráveis da economia.

No primeiro trimestre do ano, o volume de vendas no Espírito Santo acumula uma queda de 13,6% em relação ao mesmo período do ano passado. No que se refere à confiança pelo lado do empresário do comércio, ela já está melhor que no mesmo período do ano passado, porém ainda mostra uma preocupação maior com a situação atual da economia e do setor. A melhora da confiança está pautada nas expectativas mais positivas nos próximos meses.

Por outro lado, a intenção de consumo das famílias está em patamar baixo e isso é reflexo direto do cenário do mercado de trabalho. Tem-se observado uma diminuição do ritmo de deterioração do mercado de trabalho no Estado nesse início do ano, mas a taxa de desocupação ainda está muito alta, o que tem deixado as famílias mais reservadas para o consumo. O peso do desemprego para as famílias é maior que efeitos positivos como as quedas da inflação e dos juros e da liberação do FGTS, que não têm sido suficientes para influenciar retorno delas ao consumo.

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