Taxa de desemprego recua para 2,3% no Espírito Santo e é a 3ª menor do país

Estado cria 24,2 mil empregos formais no primeiro semestre, porém, informalidade avança e atinge 40% da população ocupada

O mercado de trabalho capixaba apresentou um novo resultado histórico no segundo trimestre de 2026. A taxa de desocupação no Espírito Santo recuou para 2,3%, menor patamar desde o início da série histórica, em 2012. Com esse resultado, o estado manteve a menor taxa de desemprego da Região Sudeste e passou a ocupar a terceira posição entre os estados brasileiros, atrás apenas de Santa Catarina e Mato Grosso.

As análises são do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o coordenador do observatório, André Spalenza, o resultado confirma a força do mercado de trabalho capixaba e a proximidade de uma situação de pleno emprego. “A taxa de desemprego chegou a um nível historicamente baixo e mostra que a maior parte das pessoas que busca uma oportunidade consegue se inserir rapidamente no mercado. Nesse cenário, o desafio passa cada vez mais pela qualidade das ocupações e pela capacidade de atender à demanda das empresas por mão de obra”, explicou.


O estado encerrou o segundo trimestre com aproximadamente 2,129 milhões de pessoas na força de trabalho, também chamada de População Economicamente Ativa (PEA). No período, o contingente de desocupados caiu de 66 mil para 49 mil pessoas, uma redução de aproximadamente 17 mil indivíduos.

É a primeira vez desde o início da série histórica que o número de pessoas desocupadas fica abaixo de 50 mil no Espírito Santo. A trajetória de redução também é expressiva quando considerado o período mais recente: a taxa de desemprego caiu de 14,2% no terceiro trimestre de 2020 para 2,3% no segundo trimestre de 2026, uma redução de 11,9 pontos percentuais.

O número de pessoas ocupadas também cresceu. O Espírito Santo passou a contar com aproximadamente 2,080 milhões de trabalhadores ocupados, cerca de 71 mil pessoas a mais do que no primeiro trimestre. O resultado reforça a elevada capacidade de absorção de mão de obra da economia capixaba.

Informalidade

Apesar da redução histórica do desemprego, o mercado de trabalho apresentou um ponto de atenção no período: o aumento da informalidade. A taxa avançou de 38,6% para 40% entre o primeiro e o segundo trimestre, alcançando o maior nível desde o segundo trimestre de 2022. O indicador ficou acima da média nacional, de 37,4%.

No total, o Espírito Santo passou a registrar aproximadamente 832 mil trabalhadores em situação de informalidade, 57 mil a mais do que no primeiro trimestre.  Para Spalenza, os dados mostram que a informalidade é o principal desafio para o mercado de trabalho capixaba. “O Espírito Santo já possui um mercado de trabalho com desemprego muito baixo. Agora, é importante transformar esse avanço em empregos de maior qualidade, ampliando a formalização e a proteção social”, destacou.

Empregos formais

O bom desempenho do mercado de trabalho também aparece nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No primeiro semestre de 2026, o Espírito Santo criou 24.177 empregos formais, crescimento de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025, com 3.494 postos a mais.

Todos os grandes setores apresentaram saldo positivo. Serviços liderou a geração de vagas, com 9.180 novos empregos, seguido pela Agropecuária, com 7.867, impulsionada principalmente pelas contratações temporárias da safra de café. A Construção criou 3.029 postos, crescimento de 73,1%, enquanto a Indústria gerou 3.309 e o Comércio, 792.

Com os resultados, o Espírito Santo chegou a 940.383 vínculos formais de trabalho em junho, crescimento de 1,9% em relação ao mesmo mês de 2025. O setor de Serviços concentrava 45,4% desses vínculos e o Comércio, 25,2%, indicando a importância das atividades terciárias para o mercado de trabalho formal capixaba.

Entre os municípios, Vitória liderou a geração entre os municípios, com 4.182 empregos, seguida por Linhares, com 2.523, e Aracruz, com 2.106. Em Linhares, a Agropecuária foi responsável por 1.140 vagas, enquanto, em Aracruz, a Indústria gerou 1.530 postos.

A geração de empregos também apresentou forte interiorização. Os municípios do interior foram responsáveis por 16.607 novos postos no semestre, cerca de 69% do total estadual, enquanto a Região Metropolitana da Grande Vitória criou 7.570 vagas.

Apesar do desempenho positivo, a geração a geração de empregos formais no interior permanece fortemente condicionada à sazonalidade da Agropecuária. Para Spalenza o resultado do primeiro semestre mostra a importância de ampliar as oportunidades de emprego formal no interior.  “Embora a agropecuária tenha gerado parcela expressiva das vagas, muitas estão associadas à safra do café e são temporárias. O desafio é fortalecer os demais setores para absorver essa mão de obra e ampliar as oportunidades de permanência no mercado formal ao longo do ano” concluiu.

A pesquisa completa está disponível em: https://portaldocomercio-es.com.br.  

Sobre o Sistema Fecomércio-ES

A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 431.803 empresas, responsáveis por 70% do PIB no estado e pelo emprego de mais de 700 mil pessoas. Com mais de 32 unidades, ações itinerantes e presença em todos os municípios capixabas – de forma física e on-line –, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 26 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Sesc-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).

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