Após dois saltos, endividamento cresce em ritmo menor em outubro

Após subir cinco pontos percentuais (p.p.) na
passagem de agosto para setembro, o índice de endividamento das famílias de
Vitória desacelerou em outubro, aumentando 0,7 p.p. É o que mostra a Pesquisa
de Endividamento e Inadimplência (Peic), elaborada pela Federação do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES). Confira a pesquisa completa aqui.

Apesar de crescer menos, o número de famílias
endividadas está no maior nível da série histórica: 88,5% das famílias de Vitória estão com algum nível de comprometimento na
renda, seja no
crédito, cheque especial, carnê, crédito
consignado, empréstimo e/ou prestação de carro e casa. Em números absolutos,
são 119.200 famílias nessa condição. As
piores marcas já registradas foram nos anos de 2017 e 2018, com pico em janeiro
de 2018, quando 74% das famílias afirmaram estar endividadas e 62% não
conseguiriam honrar seus compromissos, ficando inadimplentes.

A inadimplência também aumentou menos em
outubro: 0,5 p. p. acima do mês anterior, atingindo 38,2% das famílias. Na
passagem de agosto para setembro, esse crescimento foi de 2,6 p. p. São 51.441 famílias da capital com contas
atrasadas.

Já o percentual dos que não terão condições de
pagar dívidas atrasadas no próximo mês subiu de 18,4% para 19,4%, o que
representa 26.058 famílias.

Resultados
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência de Vitória

Percentual

Último trimestre

Número absoluto

2021

Ago/22

Set/22

Out/22

Out/22

Out/21

Endividados

82,8%

87,8%

88,5%

119.200

67,7%

Inadimplentes

35,1%

37,7%

38,2%

51.441

27,7%

Não terão condições de pagar

17,1%

18,4%

19,4%

26.058

12,5%

Fonte: Pesquisa Direta CNC. Elaboração: Gerência de Projetos
Fecomércio-ES.

A Fecomércio-ES acredita que o aquecimento do
consumo diante da melhora no mercado de trabalho, disponibilização dos auxílios
de renda e desaceleração da inflação estimulou a contratação de novas dívidas.
Em contrapartida, os juros ainda estão altos, encarecendo dívidas já
contratadas e dificultando os pagamentos no prazo estabelecido.

O atual momento deve ser acompanhado com
atenção, principalmente, porque o alto endividamento pode impactar a realização
de novas compras, principalmente no Natal, melhor período para o comércio. Nesse
sentido, os comerciantes podem trabalhar para estimular a renegociação dos
débitos atrasados.

Tipos
de dívidas

O cartão de crédito é o principal tipo de
dívida, comprometendo a renda de 80,7% das famílias endividadas. A categoria
“outros” é a segunda mais representativa (27,4%), com peso maior do
financiamento de carro e casa e crédito consignado.

Comprometimento
da renda

Os endividados têm, em média, 29,5%, da renda
mensal comprometida, pelo prazo de, pelo menos, sete meses. Já os inadimplentes
afirmaram que o pagamento está atrasado, em média, há 65 dias.

Renda
familiar

Para o grupo com renda familiar até 10 salários
mínimos o nível de endividamento chegou a 90,7%, e a inadimplência a 43,3%. Já no
grupo com renda familiar acima de 10 salários, o endividamento ficou em 74,6% e
a inadimplência em 10,0%. Os que afirmaram que não terão condições de pagar
suas dívidas no próximo mês somam 23,6% na primeira faixa e 2,5%, na segunda.

Brasil

O número de endividados no país em outubro
ficou em 79,2%, queda de 0,1 ponto percentual na comparação com o mês anterior
e aumento de 4,6 pontos percentuais frente ao mesmo mês do ano passado. O percentual
de inadimplentes subiu de 30,0% para 30,3% e o número dos que não terão
condições de pagar suas dívidas ficou em 10,6%.

Saiba a diferença
entre os termos

· Endividados:
consumidores que declararam ter dívidas na família;

· Inadimplentes:
clientes com contas ou dívidas atrasadas no mês;

· Não
terão condições de pagar dívidas: pessoas que não terão condições de pagar as
contas ou dívidas em atraso no próximo mês.

Sobre a Peic

· Os
dados da pesquisa são coletados em âmbito nacional pela Confederação Nacional
do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e disponibilizados às federações estaduais
para a elaboração das análises locais;

· A
amostra é de, no mínimo, 500 famílias residentes no município de Vitória;

· A
pesquisa é dividida em duas faixas de renda: as que possuem renda familiar até
dez salários mínimos e as que têm renda acima desse valor.

· O
tratamento e a análise dos dados regionais são realizados pela Gerência de
Projetos da Fecomércio-ES.

Por Dayane Freitas

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fique atualizado

Assine e receba nosso conteúdo em sua caixa de entrada.

Formulário Newsletter