Inadimplência das famílias de Vitória atinge maior nível em abril, mas ritmo de crescimento do ind

O endividamento em abril de 2017 atingiu 66,3% das famílias de Vitória, como mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). O percentual de endividamento ficou 4,5 pontos percentuais (p.p.) acima do valor registrado para o mesmo mês em 2016, mas 2,8 p.p. abaixo que o mês de março de 2017. O percentual em abril de 2017 corresponde à cerca de 84 mil famílias da capital e à maior taxa de endividamento para o mês desde 2011.

A inadimplência, por sua vez, bateu novo recorde e registrou o maior nível de toda a série histórica, iniciada em 2010, atingindo 43% do total das famílias de Vitória. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o percentual ficou 15,9 p.p. acima. Já o percentual das famílias que afirmaram que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso caiu para 5,3%.

O cartão de crédito foi o principal tipo de dívida nos três primeiros meses de 2017 para, em média, 67% das famílias (média do trimestre). No entanto, o que se observou foi um recuo na utilização dessa modalidade de crédito na passagem para o segundo semestre, registrando 53,6% em abril.

Outro movimento foi o recuo do cheque especial, que havia atingido o maior nível de utilização para toda a série histórica em março (quando representou um dos tipos de dívidas para 32,3% das famílias endividadas) caindo para 22,0% em abril.

Em contrapartida, houve a ascensão de modalidades mais baratas de crédito. Segunda opção muito utilizada pelas famílias, o crédito pessoal aumentou de 30,7% em março para 41,4% em abril. E os carnês também seguiram na mesma linha e voltaram a crescer como tipo de dívida das famílias passando de 19,6% em março para 36,9% em abril.

Entre os endividados, a parcela de comprometimento da renda com dívidas em abril (como por exemplo, cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês, empréstimo pessoal, prestações de carro) se manteve estável em relação a fevereiro, em média, de 24,7%, considerado razoável para esses tipos de dívidas. E entre as famílias com contas ou dívidas em atraso, o tempo nos primeiros três meses do ano de 2017 resultou no aumento da inadimplência. Com o crescimento das despesas no início do ano e o orçamento apertado, as famílias recorreram à duas “soluções” imediatas e mais acessíveis de crédito, o que refletiu diretamente na inadimplência.

Já na virada para o segundo trimestre, marcado pelo mês de abril, as famílias passaram a contrair dívidas mais baratas como o crédito pessoal e os carnês. O cartão de crédito e o cheque especial, embora presentes, tiveram suas participações diminuídas significativamente.

Esses movimentos podem representar uma fase de adaptação das dívidas na qual o consumidor está se organizando e contraindo dívidas mais baratas seja para o consumo, seja para quitar as dívidas mais caras adquiridas. O reflexo disso é uma melhora das expectativas de pagamento de dívidas atrasadas mostrada pela queda do percentual daqueles endividados que afirmaram que não terão condições de pagar suas contas/dívidas em atraso. Ou seja, os consumidores estão propensos a pagarem suas dívidas, entretanto, não estão sendo capazes de cumprir os prazos, geralmente de 30 a 45 dias.

Observa-se ainda que a intensidade de crescimento da inadimplência diminuiu: de janeiro para fevereiro havia crescido 4,3 p.p., de fevereiro para março foram 5,5 p.p. de crescimento e na passagem de março para abril o crescimento foi de 1,8 p.p. Diante dessas pontuações é possível esperar uma melhora no indicador de inadimplência para os próximos meses.

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